29.1.03

Palocci sobre aposentadoria: 'Não adianta estar escrito na Constituição se contas não a garantem' (via GloboNews). Ainda estou espantado: alguém do PT percebeu que voluntarismo não basta, que não se pode governar por decreto, que não basta fazer uma lei para que as coisas aconteçam. Este governo acha uma nova forma de me supreender a cada dia que passa.

24.1.03

O governo do PT comçou com um discurso igual ao dos tucanos na área econômica, além de repetir tantas outras idéias que criticou nos últimos oito anos. Agora ele envereda na prática de um dos esportes prediletos do último governo: a fritura ministerial. Novas denúncias de corrupção envolvendo o ministro Anderson Adauto continuam aparecendo na mídia, como esta matéria da revista Isto É (seguindo um artigo na GloboNews.com).
Enquanto isso o presidente e seus articuladores continuam defendendo publicamente o ministro com palavras, ao invés de apresentarem documentos ou abrirem caminho para um investigação séria. O problema é que as denúncias já existiam antes da posse e sempre foram tratadas com panos quentes. Já vimos este filme. Os dias passam, aparece um contrato aqui, uma sociedade ali e os desmentidos vão se acumulando. A frigideira está pronta, o óleo quente vai esquentando lentamente, mas os envolvidos não lembram que sempre respinga um pouco de óleo fervente para queimar a mão de quem maneja o fogão.
Fiz o teste (depois de ler no telescOpica). Minha personalidade no trabalho:
Extrovertido-Sensitivo-Pensativo-Assimilador
Estar ocupado é sua principal lei da vida, já que estar em movimento é o que mais lhe agrada. Um detetive, um investigador, capaz de monitorar um sem-número de pessoas (e suas respectivas ações). Quanto mais diferente for um dia do outro, melhor sua vida se torna. Costuma ser pessoa observadora e com boa memória, ao que se soma o gosto pela atividade constante. Solucionador, em primeira mão, de problemas. Ativo, aventureiro, que se contenta quando as coisas vão bem rápido, não teme riscos nem despreza novas oportunidades. Tem o gosto por situações onde tenha de improvisar e ser original, sem perda do senso de realidade. Seu meio-ambiente preferido é aquele onde as regras, caso haja, sejam em pouco número e possa atuar mais como quem realiza tarefa específica do que como quem cumpra alguma jornada de trabalho pré-estabelecida. Realista, prático e lógico, para quem a dúvida tem de ser eliminada, daí a vida dar-se envolvida com metas constantemente pressionantes.
Áreas favoráveis: bolsa-de-valores; investigação em geral (criminal, paleontológica, biológica ou outra); corretagem; criminalística; Direito; Medicina (principalmente nas áreas que exijam elevado controle nervoso para fazer face a situações de alto risco).

Medicina não, que eu não aguento nem ver a Scully fazendo autópsia no Arquivo X.

23.1.03

Estou intrigado com as histórias e situações que envolvem vice-presidentes. Há algum tempo assisti um filme da HBO que mostra a biografia de Harry Truman (Truman). Ele foi eleito vice-presidente dos EUA para o quarto mandato de Franklin D. Roosevelt, como resultado de uma articulação política para substituir o vice anterior, Henry Wallace. Quando FDR morreu em decorrência de um derrame cerebral em 12 de abril de 1945, Truman assumiu o posto em meio à Segunda Guerra Mundial.
Foi Truman quem autorizou o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki com bombas nucleares. Ele também foi responsável pelo envolvimento americano na guerra da Coréia e pela ponte área que manteve o abastecimento de comida e combustível em Berlim Ocidental por mais de um ano, logo após o bloqueio terrestre imposto pela URSS em 1948 que cercou a cidade com o Muro.
Depois de tudo isso, Truman deixou a presidência em 1953 e voltou para sua casa no Missouri. Segundo um depoimento de seu neto Clifton Truman Daniel, ao deixar o cargo ele não tinha nenhuma outra fonte de renda. Outros historiadores indicam que ele tinha apenas uma pensão de cerca de US$ 100 por ter ocupado alguns cargos públicos eletivos no condado de Jackson, onde nasceu. Não dá para imaginar uma situação destas hoje em dia: o homem que usou a bomba atômica para encerrar uma guerra volta para casa sem nada para fazer.
Por que será que eu também lembrei de Itamar Franco e agora estou pensando em José Alencar?
Estava assistindo ao BBB de hoje quando anuciaram que a prova do líder desta semana seria uma maratona de dança. Acabo de pensar que as maratonas de dança da década de 30 nos EUA durante a Grande Depressão foram os primeiros reality shows da história.

Update: tem um filme do Sidney Pollack sobre o assunto, They Shoot Horses, Don't They?. Se não me engano o título em português é "A Noite dos Desesperados". Enquanto isso, BBB ao vivo na internet, casais dançando.

21.1.03

Estou cercado por uma onda de saudosismo digital. Mauro Pinheiro lembrando dos tempos do Apple II, um outro colega querendo voltar a jogar Wing Commander no seu PC com Windows XP e eu baixando um remake de King's Quest para Windows (dica do Tilt Total).
Se você estiver querendo jogar aqueles jogos velhos de PC-XT no seu moderníssimo Athlon XP ou Pentium 4, melhor dar uma olhada no VOGONS.
Mais uma do PT, agora no governo, repetindo as práticas do governo anterior enquanto contradiz o que fez no Congresso nos últimos 8 anos: Petistas protestam e CUT diz que pode ir à Justiça contra a não-correção (via GloboNews.com). Depois de passar anos defendendo a correção da tabela de desconto do IR, vemos o PT, na figura do ministro Palocci, diz que não haverá correção da tabela neste ano.
No meio de tantas declarações de políticos citados na matéria, fico com a senadora Heloísa Helena: "Continuo a mesma de quatro meses atrás. Se o PT mudou, que assuma isso e traga essa discussão a público.". Estou pagando para ver alguém do atual governo ir a público admitir que toda aquela conversa de mudança e todas as críticas ao governo tucano foram apenas para fins eleitorais, que na vida real a situação é complicada e o PT vai ter que empregar muitas das práticas políticas, econômicas e fiscais do governo FHC porque simplesmente não é possível jogar tudo para o alto e fazer diferente.
Por fim, fazendo coro com Bernardo, se era para continuar fazendo a mesma coisa, porque não ficamos com os mesmos tucanos?

16.1.03

Primeiro houve um processo da Sun contra a Microsoft em 2001, exigindo que a MS parasse de distribuir sua versão de VM Java embutida no Windows e parasse com o desenvolvimento desta VM modificada, porque isso traria prejuízo aos consumidores. Dito e feito, o Windows XP começou a sair de fábrica sem suporte a Java.
Agora, em dezembro último, a Sun entrou com outro processo exigindo que a MS inclua a VM Java da Sun em todas as cópias de Windows, e um juiz acaba de conceder uma liminar exigindo que isso aconteça em no máximo 120 dias: You vill sheep de Yava, und you vill like eet! (via Ars Technica).
Se você não está entendendo qual é a da Sun, tem um comentário excelente no fórum da Ars Technica:
Sun Cabbage Co: you vill put cabbage on your menu
MS Cafe: we vill put cabbage on the menu
(MS Cafe puts MS brand cabbage on the menu)
Sun Cabbage Co: Errr, we don't like your cabbage
MS Cafe: Okay, we will take our cabbage off the menu
Sun Cabbage Co: Uhhh, but now no one will know they can order cabbage!
MS Cafe: Deal with it.
MS Cafe Owner's Dad: Put Sun brand cabbage on the menu or I'll ground you.

Muito bom este artigo do Lourival Sant'anna no Estado de S. Paulo (dica do Jean Boechat). Agora é esperar para ver o que virá com o programa Fome Zero do novo presidente e como ele vai funcionar na prática. Distribuir cupons ou outro tipo de forma de pagamento que só sirva obrigatoriamente para comprar comida não vai dar certo, num país onde em qualquer esquina do centro da cidade pode-se trocar vales-refeição e vales-transporte por dinheiro, com deságio. Parte do dinheiro vai acabar indo par ao bolso de quem financia este câmbio negro, ao invés de se transformar em roupas, remédios e telhas. Resta saber se Lula terá a coragem de propor algo semelhante aos programas de renda mínima ou de complentação de renda, como o Bolsa Escola, concebidos pelo governo anterior ou por outros políticos, ou se vai insitir num programa de distribuição de comida com frases de efeito, factóides e resultados aquém do esperado.
Falando de outra coisa, estou sentindo falta dos editorias do Estadão. Pena que o serviço de assinaturas dele tenha me causado tantos problemas nos últimos 18 meses que acabei não renovano a minha.

15.1.03

Não dá para levar uma manchete destas a sério: Silveirinha diz que está magoado com Garotinho (via GloboNews). O que fazer quando o Silveirinha resolve falar de um ex-governador que atende pelo nome de Garotinho? Devemos levá-los para ver um show do Carequinha?
O bom menino não faz xixi na cama
O bom menino não faz mal-criação

14.1.03

Falando em Iraque e em companhias de petróleo do Texas, quem se lembra daquelas cenas clássicas de Dallas com o Larry Hagman no papel de J.R?

Cena 1: J.R. entra no escritório, recebe seus amigos do "cartel" e começa a conversar com eles enquanto se dirige ao bar e pega um whisky.
Cena 2: J.R. chega à mansão dos Ewing, encontra sua esposa Sue Ellen e começa a discutir com ela enquanto se dirige ao bar e pega um whisky.
Cena 3: J.R. sai de casa e vai encontrar sua amante. Entra no apartamento e começa a tirar a gravata enquanto se dirige ao bar e pega um whisky.
Vejo um artigo do Bernardo onde ele relata alguns dos possíveis desdobramentos de um ataque dos EUA ao Iraque. Curiosamente neste fim de semana o Telecine estava passando Treze Dias que Abalaram o Mundo (Thirteen Days no original), um filme sobre os bastidores da atuação de Kennedy durante a crise dos mísseis em Cuba em 1962. Deixando de lado algumas críticas ao roteiro do filme, vamos pensar na comparação entre as duas situações.
Na crise dos mísseis em 1962 a ameaça ao território norte-americano era muito mais direta, pois bastava um míssil cubano ser disparado para que em questão de 5 ou 10 minutos uma grande cidade fosse atingida. Talvez por isso o interesse tão grande de John Kennedy por uma solução pacífica. Ele não queria uma invasão de Cuba, porque isso resultaria apenas num guerra com a URSS e em ataques aos Estados Unidos e seus aliados. Não haveria nenhum benefício para os EUA. Daí o esforço durante duas semanas para evitar qualquer ação precipitada e também para levar a discussão para a OEA e depois para a ONU.
A posição americana em relação ao Iraque é completamente diferente. Vai haver uma invasão, ela está apenas esperando, a contagosto, pelos prazos regimentais do jogo diplomático dos inspetores da ONU. Existe uma chance de retaliação por parte do Iraque ou de outros países muçulmanos, mas ela é vaga e pode ser enquandrada num critério geral de terrorismo. Por outro lado existe um ganho evidente: a influência dos EUA, maior consumidor de petróleo do mundo, sobre um novo governo no Iraque, que estaria sentado sobre a terceira maior reserva de petróleo do planeta. Se o governo iraquiano continuar como está, vai continuar negociando tratados de exploração e transporte de petróleo com a Rússia, e isso não interessa ao pessoal do Texas bem relacionado com George W. Bush. Não tem como ser mais óbvio do que isso.

9.1.03

Um artigo sobre empresas que não só sobreviveram mas também se valorizaram depois do estouro da bolha: Survivors of the bust inspire loyalty, patience (via Mercury News). Interessante porque mostra como as empresas da nova economia (vulgo NASDAQ) que trabalharam como empresas comuns nas suas práticas de mercado, bom relacionamento com clientes e contabilidade honesta tiveram um desempenho comparável a empresas brick-and-mortar. Note-se um dos subtítulos da matéria: "They had patient investors".

6.1.03

Saiu a tradicional lista dos 10 vaporwares do ano da Wired: Vaporware 2002: Tech up in Smoke?. Podemos acrescentar aqui na terrinha mais um prêmio: Discador UOL 10.0 para Mac e para Linux. Graças a ele eu cancelei minha assinatura do UOL.
Se não bastasse a tal "guerra do tráfico", agora na Barra da Tijuca temos a guerrilha dos condomínios: Briga entre vizinhos deixa sem energia elétrica oito condomínios da Barra (via O Globo On line).

2.1.03

Direto da máquina do tempo: Borland Developer Network Museum (você precisa se cadastrar para ter acesso). Dentre outras coisas, você pode fazer o download do Bom e Velho® Turbo Pascal 5.5, ou então o Turbo C++ 1.01. Bons tempos aqueles.